Comentários em: A civilização é a causa original do ecocídio https://contraciv.noblogs.org/a-civilizacao-e-a-causa-original-do-ecocidio/ Levantando o debate sobre crítica à civilização Fri, 10 Mar 2023 18:45:34 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Por: contraciv https://contraciv.noblogs.org/a-civilizacao-e-a-causa-original-do-ecocidio/#comment-5728 Sat, 12 Nov 2022 16:45:15 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1388#comment-5728 Em resposta a contraciv.

A crítica à civilização não trabalha com o conceito de “civilizações” no plural, como sinônimo de sociedades humanas “desenvolvidas”, mas sim com o conceito de civilização como processo histórico, modo de produção e visão de mundo ao mesmo tempo. A diferença é que esse processo não é exaltado como produtor de avanço para humanidade e sim criticado como alienante e ecologicamente inviável. O texto de Kollibri diz o seguinte: “Enquanto o capitalismo remonta ao século XVI (mais ou menos), a civilização surgiu com a intensificação da revolução agrícola, entre 8.000 e 10.000 anos atrás”. Esta é a premissa central.

A civilização não é “europeia”, mas também não é “humana”. Ela existe antes do imperialismo europeu, e não chega a todas as partes do mundo. A resistência à civilização ocorreu, assim como a resistência ao estado. O modo de vida civilizado implica em alienação, desadaptação ecológica e destruição de outros povos. Não pode ser caracterizado somente por algo que nós, civilizados, consideramos “avançado” ou “complexo”, como o que muitos povos amazônicos fizeram.

O conceito de colonialismo aparece a partir da obra de Ailton Krenak, que o usa no sentido de “pensamento colonial”. Então o que o texto realmente faz é relacionar um modo de vida civilizado (baseado em controle excessivo da natureza) com um modo de pensamento colonial (dominação dos povos que vivem em outros modos de vida). Esse controle excessivo é o que Krenak “deixar rastros”: é a falta de cuidado com o modo como se pisa na terra, ou seja, com o impacto daquilo que se faz.

O pensamento colonial antecede a colonização da América: ele está presente na violência implicada na expansão do modo de vida baseado em acúmulo de excedente. O ecocídio se origina dessa violência. Você fez uma distinção entre colonização e colonialismo, mas nesse sentido o que muda é só a palavra: a crítica é ao pensamento colonial, de dominação do diferente. Ela não parte da ideia de desenvolvimento europeu, até porque esse suposto desenvolvimento é questionado pela crítica. A própria ideia de um desenvolvimento das sociedades humanas em estágios ascendentes é parte da ideologia do progresso. Estamos falando da civilização como modo de vida caracterizado por uma mudança de relação entre humano e não-humano, de uma relação de cooperação para uma relação de autoridade. A civilização é insustentável porque se baseia no poder autoritário do humano sobre o não-humano. Eliminar a distinção entre civilizado e selvagem oculta este conflito político entre humano e não-humano, que surge no contexto das sociedades patriarcais. O conceito crítico de civilização não pode ser ignorado em nome de um conceito que naturaliza o processo histórico de alienação e dominação da natureza.

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Por: contraciv https://contraciv.noblogs.org/a-civilizacao-e-a-causa-original-do-ecocidio/#comment-5725 Fri, 11 Nov 2022 23:37:27 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1388#comment-5725 Este comentário é uma resposta a um comentário feito no Discord:

“Preciso apenas enfatizar que eu concordaria totalmente com sua crítica, se o que tivesse sido afirmado no texto fosse, de fato, qualquer coisa parecida com a teoria de Morgan. O referencial teórico na verdade é a antropologia de Pierre Clastres e Marshal Sahlins, entre outros. O conceito de civilização usado no texto é diferente do que você usou e do usado pela ideologia dominante, e está definido em outros textos. O texto está inserido num debate muito maior, não é um texto introdutório. Se o pressuposto fosse mesmo o conceito de civilização como sinônimo de “sociedade organizada” aí eu concordaria que seria um argumento eurocêntrico e tautológico. Em momento algum eu culpei um povo. O paralelo mais próximo na verdade seria entre o modo de vida civilizado e a “sociedade de classes”. O argumento é contra um modo de vida baseado em acúmulo e expansão que antecede o “modo de produção capitalista” e cria bases para ele. Não é uma simples repetição do Marx disse, uma vez que parte da crítica anarquista ao estado e à propriedade, e a expande para a relação entre humano e não-humano.”

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