Comentários para Contra a civilização https://contraciv.noblogs.org Levantando o debate sobre crítica à civilização Sat, 13 Dec 2025 16:43:12 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Comentário em Posse e propriedade por contraciv https://contraciv.noblogs.org/posse-e-propriedade/#comment-7846 Sat, 13 Dec 2025 16:43:12 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=2232#comment-7846 Em resposta a Rogerio.

Valeu pelo comentário. Realmente esse é um assunto sensível e a primeira reação é quase sempre negativa. Leva um tempo para a crítica “dar um clique” na cabeça da pessoa. Enquanto dizem que estamos defendendo um modo de vida isolacionista ou sobrevivencialista, estamos na verdade nos organizando nas redes sociais e presentes em diversos movimentos. Este ano teve um encontro anticiv depois da feira anarquista de São Paulo e foi muito bom. Apresentei a perspectiva crítica da posse. Uma crítica à ideia de que o mundo é composto de coisas que podem ser possuídas, em vez se seres com os quais nos relacionamos.

O texto “Disse ‘natureza’?” está no livro “O Mito da Razão” do Georges Lapierre, correto? Realmente tem muito a ver e é uma ótima sugestão. Vou adicionar à lista a ideia de escrever uma resenha sobre esse livro aqui ou fazer um zine com esse texto. Valeu pela recomendação. A ideia geral do texto eu conheci por meio de um artigo da Green Anarchy, que questionava o conceito de natureza. É exatamente essa a ideia do meu texto.

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Comentário em Posse e propriedade por Rogerio https://contraciv.noblogs.org/posse-e-propriedade/#comment-7834 Fri, 12 Dec 2025 17:36:27 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=2232#comment-7834 Mais um texto de altíssima qualidade. Tenho a impressão que os textos anticilização têm incomodado muita gente, inclusive entre anarquistas. Tal crítica parece nos “tirar o chão”, questionando tudo aquilo que dávamos como certo em nossas vidas. Os críticos geralmente apelam dizendo que a anarquia anticivilização nada propõe, apenas gera uma uma utopia inútil de uma sociedade forrageadora, em que ficaríamos panguando nas florestas atrás de comida. O pensamento anticivilização é imprescindível para compreendermos “problemas” ambientais atuais, ao revelar a problemática em separar os humanos – civilizados, diga-se, – daquilo que chamamos Planeta Terra. Ainda assim, há pensadores como Miguel Amorós desdenhando dessa perspectiva, chamando os alertas de “colapsologia”.
Parafraseando Pearlman, como é difícil – talvez impossível – pra gente retirar a couraça.
Uma pergunta: Por acaso vocês tem o texto de Georges Lapierre chamado “Disse ”natureza”?”? É um texto que corrobora muito as opiniões encontradas neste blog.
Saúde e Anarquia!

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Comentário em Murray Bookchin contra o anarquismo de estilo de vida por contraciv https://contraciv.noblogs.org/murray-bookchin-contra-o-anarquismo-de-estilo-de-vida/#comment-7381 Mon, 20 Oct 2025 10:19:59 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=2209#comment-7381 Em resposta a Punkytrio.

Dá uma olhada nesse jogo de RPG de texto, em desenvolvimento, em parte baseado nesse livro: https://janosbiro.itch.io/fully-automated-space-capitalism

Sem dar spoiler, em certo momento tem um conflito entre dois planetas anarquistas, uma chamado Anarchio e outro chamado Emma. Está em inglês e não está terminado ainda, mas se puder dá uma olhada, é de graça.

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Comentário em Murray Bookchin contra o anarquismo de estilo de vida por Punkytrio https://contraciv.noblogs.org/murray-bookchin-contra-o-anarquismo-de-estilo-de-vida/#comment-7379 Mon, 20 Oct 2025 02:59:42 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=2209#comment-7379 Essa tensão entre o anarquismo social e individualista. Junto com o anarquismo iluminista e progressista tecnológico defendido pelo Bookchin, me lembrou muito as tensões que acontecem no livro Os Despossuidos da Úrsula Leguin.

Onde as pessoas moram numa Lua anarquista “anarresti” que é toda tecnológica ao ponto de gerar por computador o nome das pessoas, e todo mundo é educado a ser anarquista e condicionado a seus ideais. Porém existem algumas tensões de um grupo que se rebela contra o próprio sistema anarquista que acontece lá. Por mais contraditório que possa parecer existe um sistema anarquista na ficção do livro. E esse grupo acaba por quebrar as regras de lá, gerando tensão e podendo sofrer penalidades.

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Comentário em Anarquia anti-civilização por L https://contraciv.noblogs.org/anarquia-anti-civilizacao/#comment-7275 Tue, 17 Jun 2025 19:30:52 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=2204#comment-7275 Texto inspirador e que provoca uma reflexão necessária. Parabéns compas e que avancemos nos pensamentos e ações anticivilizatórias!

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Comentário em A civilização é a causa original do ecocídio por contraciv https://contraciv.noblogs.org/a-civilizacao-e-a-causa-original-do-ecocidio/#comment-5728 Sat, 12 Nov 2022 16:45:15 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1388#comment-5728 Em resposta a contraciv.

A crítica à civilização não trabalha com o conceito de “civilizações” no plural, como sinônimo de sociedades humanas “desenvolvidas”, mas sim com o conceito de civilização como processo histórico, modo de produção e visão de mundo ao mesmo tempo. A diferença é que esse processo não é exaltado como produtor de avanço para humanidade e sim criticado como alienante e ecologicamente inviável. O texto de Kollibri diz o seguinte: “Enquanto o capitalismo remonta ao século XVI (mais ou menos), a civilização surgiu com a intensificação da revolução agrícola, entre 8.000 e 10.000 anos atrás”. Esta é a premissa central.

A civilização não é “europeia”, mas também não é “humana”. Ela existe antes do imperialismo europeu, e não chega a todas as partes do mundo. A resistência à civilização ocorreu, assim como a resistência ao estado. O modo de vida civilizado implica em alienação, desadaptação ecológica e destruição de outros povos. Não pode ser caracterizado somente por algo que nós, civilizados, consideramos “avançado” ou “complexo”, como o que muitos povos amazônicos fizeram.

O conceito de colonialismo aparece a partir da obra de Ailton Krenak, que o usa no sentido de “pensamento colonial”. Então o que o texto realmente faz é relacionar um modo de vida civilizado (baseado em controle excessivo da natureza) com um modo de pensamento colonial (dominação dos povos que vivem em outros modos de vida). Esse controle excessivo é o que Krenak “deixar rastros”: é a falta de cuidado com o modo como se pisa na terra, ou seja, com o impacto daquilo que se faz.

O pensamento colonial antecede a colonização da América: ele está presente na violência implicada na expansão do modo de vida baseado em acúmulo de excedente. O ecocídio se origina dessa violência. Você fez uma distinção entre colonização e colonialismo, mas nesse sentido o que muda é só a palavra: a crítica é ao pensamento colonial, de dominação do diferente. Ela não parte da ideia de desenvolvimento europeu, até porque esse suposto desenvolvimento é questionado pela crítica. A própria ideia de um desenvolvimento das sociedades humanas em estágios ascendentes é parte da ideologia do progresso. Estamos falando da civilização como modo de vida caracterizado por uma mudança de relação entre humano e não-humano, de uma relação de cooperação para uma relação de autoridade. A civilização é insustentável porque se baseia no poder autoritário do humano sobre o não-humano. Eliminar a distinção entre civilizado e selvagem oculta este conflito político entre humano e não-humano, que surge no contexto das sociedades patriarcais. O conceito crítico de civilização não pode ser ignorado em nome de um conceito que naturaliza o processo histórico de alienação e dominação da natureza.

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Comentário em A civilização é a causa original do ecocídio por contraciv https://contraciv.noblogs.org/a-civilizacao-e-a-causa-original-do-ecocidio/#comment-5725 Fri, 11 Nov 2022 23:37:27 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1388#comment-5725 Este comentário é uma resposta a um comentário feito no Discord:

“Preciso apenas enfatizar que eu concordaria totalmente com sua crítica, se o que tivesse sido afirmado no texto fosse, de fato, qualquer coisa parecida com a teoria de Morgan. O referencial teórico na verdade é a antropologia de Pierre Clastres e Marshal Sahlins, entre outros. O conceito de civilização usado no texto é diferente do que você usou e do usado pela ideologia dominante, e está definido em outros textos. O texto está inserido num debate muito maior, não é um texto introdutório. Se o pressuposto fosse mesmo o conceito de civilização como sinônimo de “sociedade organizada” aí eu concordaria que seria um argumento eurocêntrico e tautológico. Em momento algum eu culpei um povo. O paralelo mais próximo na verdade seria entre o modo de vida civilizado e a “sociedade de classes”. O argumento é contra um modo de vida baseado em acúmulo e expansão que antecede o “modo de produção capitalista” e cria bases para ele. Não é uma simples repetição do Marx disse, uma vez que parte da crítica anarquista ao estado e à propriedade, e a expande para a relação entre humano e não-humano.”

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Comentário em Óbito e Progresso por contraciv https://contraciv.noblogs.org/obito-e-progresso/#comment-4328 Sat, 01 Jan 2022 16:49:27 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1446#comment-4328 Em resposta a Letícia Shimoda.

Obrigado pela pergunta. Isso tem gerado muita dúvida no meio eco-anarquista, e algumas pessoas defendem que deveríamos encontrar outros modos de nos defender das pandemias sem aumentar ainda mais nossa dependência da indústria farmacêutica, que com certeza se tornou mais poderosa do que nunca. As vacinas não são uma solução para as pandemias, elas podem no máximo conter os efeitos, e é preciso lidar com a causa: o confinamento de animais e a devastação de florestas (e talvez a própria manipulação genética), ou então teremos uma onda de pandemias cada vez piores. Embora isso seja verdade e devamos ficar atentos a isso, não podemos agir de modo irresponsável. A crítica à civilização não implica em boicote a tudo que é civilizado, ou então não estaríamos aqui usando a internet. A crítica à ciência também não pode ser confundida com negacionismo científico. As vacinas salvam vidas e são necessárias, isso tem sido comprovado pela ciência, e ignorar isso seria irresponsabilidade. Usar dos meios necessários para viver, mesmo quando providos pelo Estado, não contradiz a luta contra o Estado, e o mesmo pode ser dito sobre a civilização. O problema não é usar, mas sim tratar esses meios como uma benção, principalmente quando isso pode facilmente ser usado para justificar o aprofundamento de medidas de controle social.

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Comentário em Óbito e Progresso por Letícia Shimoda https://contraciv.noblogs.org/obito-e-progresso/#comment-4327 Fri, 31 Dec 2021 21:14:06 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1446#comment-4327 Bom texto, queria saber dentro dessa visão crítica à civilização , quais seriam os caminhos, além do isolamento, para lidar com pandemias, visto que vacinas são resultado da própria civilização e demandam para o desenvolvimento delas estes mesmo causadores de doenças como a extração de minérios, o desenvolvimento da ciência, etc. Num cenário hipotético ideal é que as doenças não surgissem, mas e depois de surgidas?

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Comentário em O neo-tribalismo e a crítica à civilização por contraciv https://contraciv.noblogs.org/o-neo-tribalismo-e-a-critica-a-civilizacao/#comment-3855 Sun, 17 Oct 2021 05:26:31 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=1089#comment-3855 Em resposta a José.

Depende de que modo você pretende aplicar. Se for para criticar a hierarquia implícita, é bastante importante. Se for pra impor uma hierarquia explícita disfarçada de estrutura organizacional, como se ela fosse necessária para evitar tirania da ausência de estrutura, aí é sabotar a ideia anarquista de autonomia.

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