Comentários em: Discussão com Contragaia https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/ Levantando o debate sobre crítica à civilização Fri, 10 Mar 2023 19:01:29 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Por: contraciv https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-1025 Mon, 30 Oct 2017 10:22:02 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-1025 Alexandre,

“Se este pensamento diz ser contra o especismo, o totalitarismo antropocêntrico, como ele poderia partir para uma defesa da modificação da natureza e artificialização da evolução natural?”

Porque ele parte da ideia de que nossa cultura romantiza ou idealiza a natureza, projetando uma suposta harmonia que nunca existiu, daí o nome, contra a teoria de Gaia, contra a ideia de uma natureza boa e generosa, uma força maternal que ama a todos. Basicamente ele enxerga a existência como um conflito entre duas forças: os seres bióticos e os seres abióticos. As “leis da natureza” estão em guerra contra a vida, e para defender a vida nós temos que combater essas leis, entende?As forças abióticas trazem morte e sofrimento, as bióticas trazem felicidade e liberdade. Então é totalmente justificável usar tecnologia, que é um produto da força biótica, para combater as leis da natureza que atrapalham os seres bióticos a viverem o máximo de felicidade possível.

Sobre o tal mercado natural, você pode considerar isso uma crítica descuidada e uma radicalização absurda, mas os teóricos clássicos cometem um erro básico não muito diferente de contragaia. Contragaia naturaliza um modelo de natureza baseado num conflito ideológico. Você também naturaliza um modelo de natureza baseado numa relação ideológica. Reduzir as interações às leis de oferta e demanda é uma metafísica. Este economicismo da natureza é tão ruim quanto o dualismo maniqueísta do contragaia. Você defende uma ideologia liberal. Como contraponto, ofereço o seguinte artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091998000300002

Eu concordo que se trata de uma “disputa” entre conceitos diferentes de natureza. Mas eu discordo que minha argumentação possa ser descrita como “englobar todo tipo de controle e modificação da natureza como algo que parte da civilização”. A questão sobre “até que ponto” é muito importante e complexa, mas certamente não estou excluindo toda forma de modificação e interação (e a palavra controle ou intervenção pode ter uma significado semelhante dependendo da sua interpretação). Onde é que se traça a linha? Com certeza a natureza se modifica a si mesma, mas como podemos saber até onde nossa ação faz parte dessa modificação “natural”. A questão nos leva à distinção entre natural e artificial, humano e civilizado, uso e abuso, interação e violência. Existe uma distinção entre modificação da natureza por ação humana e domesticação civilizatória. Em nenhum lugar eu proponho “total não intervenção” (intervenção enquanto sinônimo de interação que implica em modificação) porque isso é impossível. A questão é onde e como traçar a diferença, onde começa a civilização.

Sobre os danos naturais, o autor argumenta que se podemos intervir na ação humana para impedir uma catástrofe ambiental, um genocídio por exemplo, também devemos intervir nos processos naturais que geram mortes, porque não interessa o agente, o que importa é o dano, o prejuízo à vida. Minha argumentação é que o dano natural não é tão prejudicial quanto a ação humana porque a ação humana não atenta somente contra a mera existência, ela não simplesmente mata animais. O dano vindo da domesticação, que impede animais de viverem em seu habitat natural e “serem eles mesmos” pode ser considerado pior que a morte. Além disso, o dano natural é temporário, ele é uma erupção de forças que foram contidas por um processo, e que se liberam de forma violenta, e esse processo é de todo modo impossível de conter (a vida encontra um jeito). Mas o dano da civilização é continuado, exponencial, calculado e tem potencial de destruir não apenas vidas no sentido quantitativo, mas a vida do planeta no sentido qualitativo. Por isso eu disse que a frase dele seria relativamente verdadeira. Em relação a um critério meramente quantitativo, uma catástrofe natural pode ser comparável à devastação industrializada. Mas em relação ao tipo de dano é incomparável.

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Por: Alexandre https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-1022 Sat, 28 Oct 2017 22:54:24 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-1022 A tese do contragaia, que adimito nem ter lido, parte de um pensamento tão absurdo e alienado que impossibilita uma clara refutação. Se este pensamento diz ser contra o especismo, o totalitarismo antropocêntrico, como ele poderia partir para uma defesa da modificação da natureza e artificialização da evolução natural? Mas o pensamento anticivilização descuidado também não nos previne de uma radicalização absurda. O “Mercado” civilizado pode não ser natural, mas há um mercado natural que funciona com as mesmas bases (ainda que as bases atuais estejam bem distantes), basta substituir a moeda pela quilocaloria e os países pelos nichos e você veria um sistema muito similar ao mercado idílico dos Teóricos Clássicos. Oferta e demanda de nutrientes, crescimento populacional exponencial, estagnações, choques, etc. Desse modo quero dizer que o homem não inventou o mercado nem sequer o capitalismo, eles estão na natureza, o que fizemos foi criar um sistema político que invertesse valores e corrompesse a geração do valor. Nesse ponto que contribuo para discussão, ambas correntes de pensamentos vão nos levar a uma interpretação errônea da natureza. Não vejo pensamento liberal nenhum na argumentação contragaia, a idéia central ao meu ver está na idéia de que se um tipo de controle pode beneficiar algum “local”, então ele deve ser forçado, e definido como direção para que seja adotado por todos. Como tribos que poderiam se beneficiar de um sistema produtivo, mas mesmo não tendo interesse em maior produção uma intervenção verticalizada é necessária e ética para que eles obtenham maior bem-estar, e eventualmente não sofram de alguma escassez. Por outro lado a sua argumentação contraciv quer englobar todo tipo de controle e modificação da natureza como algo que parte da civilização, e não é. Há uma modificação da natureza pela própria natureza, e por esse ponto central é que não deveriamos estar intervindo nela como esse pensamento contragaia propõe. As plantas definiram como os animais são hoje e os animais definiram quais espécies de plantas estão hoje, e os homo sapiens não civilizados selecionaram, como fizeram diversas outras espécies, seus alimentos de maneira tão dramática que modificaram suas condições organolépticas, nutricionais e biomas.
De qualquer forma tirando esse ponto do mercado político e da total não intervenção da natureza como caminho anticivilização eu concordo com toda argumentação, este blog é um serviço ao anticiv brasileiro e por isso sou grato.

Se pudesse gostaria que você comentasse uma frase que apesar de concordar não saberia defendê-la, e no texto também não há uma prova de sua veracidade: “há um erro fundamental quando se diz que os danos naturais são tão prejudiciais quanto se tivessem origem em agentes morais.”

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Por: contraciv https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-1006 Wed, 18 Oct 2017 10:01:55 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-1006 Obrigado pelos comentários. Concordo, são basicamente essas as duas posições que rejeitam a crítica à civilização: os que confiam no reformismo e os negacionistas. Tem um mapa político que talvez seja útil para visualizar isso, que eu pretendo postar no site em breve. Fique à vontade para comentar sempre.

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Por: Ed https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-1003 Wed, 18 Oct 2017 00:41:44 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-1003 Eu estou há pouco tempo observando as críticas anticiv, no entanto, eu já venho de uma linha de pensamento crítica ao modo de produção vigente, o que me põe numa situação mais favorável de compreender os argumentos anticiv, que por sinal, acho difícil de refutar por conta de tudo que vem acontecendo na sociedade. Só que muitos confiam numa capacidade reformista eterna ou (ainda mais grave) estão amarrados num conservadorismo negacionista dos problemas socioeconômicos e ambientais

Então, na real, acho que vc fez o correto numa discussão. Ridicuralizar o adversário só o deixaria irritado e que, além disso, poderia fazê-lo ignorar a crítica recebida. Mas para quem está de fora, fica difícil manter a seriedade nesse tipo de coisa. rs.

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Por: contraciv https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-996 Tue, 17 Oct 2017 10:03:21 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-996 Mais ou menos. Eu tentei mostrar o argumento do modo mais sério possível porque há pessoas que levam isso muito à sério. E eu sei como é não ser levado à sério e ser julgado por uma redução absurda da sua tese, então tentei não fazer isso e responder do modo mais sério possível.

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Por: Ed https://contraciv.noblogs.org/discussao-com-contragaia/#comment-995 Mon, 16 Oct 2017 21:21:36 +0000 https://contraciv.noblogs.org/?p=520#comment-995 Já que o veganismo não se adequa a realidade civilizacional, vamos alterar geneticamente todos os seres hahaha.
Mas que porra é essa?! Nunca imaginaria que o moralismo vegano fosse tão perturbado a ponto disso.
Foi a saída absurda que o sujeito encontrou para refutar o livro do mito vegetariano?

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